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Diário de uma pandemia

27 de julho de 2020



No início desta semana, muitas coisas aconteceram. 
Buscava um lugar que me trouxesse o que precisava silêncio e alguma paz. Tentei encontrar o meu refúgio na breve escapadinha à Arrábida, afinal é aqui perto da serra mãe, que moro, mas ao invés de encontrar o equilíbrio que necessitava encontrei um grande mar de gente e de confusão. A Arrábida estava igual à minha cabeça, cheia e confusa! 


Sabem, eu em muitos anos de blog fechei-me na minha própria concha, não achava digno vir escrever sobre assuntos pessoais e desde então pouco partilhei sobre mim. Na realidade eu não estou aqui para criar conteúdo da minha vida privada, ou da minha família. porém todos os dias nos deparamos com leituras em modo desabafo sobre tantos assuntos tabus, sobre medos e receios, que começo por perceber o inevitável; a Internet não serve só para embelezar!  
Acho que devemos abrir o leque e partilhar algumas experiências que nos afligem, afinal este lugar não pode ser assim tão vago e retraído, é também um lugar de partilha do bem, do mal e do mais ou menos. 

Vou-vos contar o seguinte, por vezes deparo-me com testemunhos e textos que parecem ter sido escritos por mim, mas não, sabem porquê? Porque não teria a ousadia de o fazer!

Mas afinal de contas, este é o meu lugar esta é a minha morada que eu paguei para me hospedar no meio virtual e concluo que aqui eu posso tudo (ou quase). Acredito que ao haver partilhas sinceras, muitos de nós nos pudemos identificar com padrões de pensamento, vivências, aprendizagem e daí surgir uma entre ajuda ou uma palavra que vais gostar de ler e ouvir. 
Temos que fazer desabrochar os sentimentos e não ter vergonha de os esconder. É claro que não vamos fazer das redes sociais o diário da revista maria! Mas acho que existem certos assuntos que devem ser  abordados.

Estão vou começar por mim. Ultimamente sinto-me muito cansada, sem energia sabem?Não me refiro aquele cansaço físico, mas sim o mental. Esse mesmo! Podem surgir comentários a argumentar: Ah, mas não estás a trabalhar! Ah, mas só tens um filho! E? Sou menos por isso? 

Há dias, pela primeira vez, algo de muito inóspito aconteceu-me. 
Fui a uma loja de grande superfície, daquelas que todos nós conhecemos, havia muita gente na fila para pagar e o meu marido deu-me a chave para ir para o carro. Ao sair dessa loja, por segundos bloqueei e não soube onde estava a saída... senti-me perdida, num lugar que conheço perfeitamente bem. Atenção, nada disto me tinha acontecido antes! Em casa reflecti e cheguei à conclusão que o nosso maior luxo, é termos tempo para nós, não para a família, para a casa, para o cão, para o gato, mas sim para nós! Acham que sou egoísta? Não de todo! 
Tem sido difícil ficar em casa horas e dias e semanas, viver nesta nova realidade que nos está afectar, que nos limita. Foram aulas online, em que nos debruçamos sobre matérias  que já tínhamos esquecido, foram tantas experiências diferentes e estranhas ao mesmo tempo.  Eu tenho um espirito que anseia por liberdade, sou aquela pessoa que descarta o shopping e as compras supérfluas, mas faz-me falta os meus humanos preferidos, faz-me falta abraçar o meu irmão que não vejo há muitos meses, faz-me falta ir para um lugar e descansar, sem rotinas e sem horários. Mas principalmente, faz-me falta tempo para mim. Faz-me falta regressar a mim mesma. 


2 comentários

  1. Este comentário foi removido por um administrador do blogue.

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    1. Pensar em nós não é descurar dos que estão à nossa volta, é poder oferecer mais, depois de olharmos e cuidarmos de nós de dentro para fora.

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