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Tempos de covid e reflexão

15 de julho de 2020


Para grande decepção da minha mãe e do meu filho a natureza e o campo são o meu meio preferido. A paisagem verde gera em mim muitos atributos positivos: inspira-me, alegra-me, acalma-me, no fundo faz-me sentir bem. Sonho com um jardim meio selvagem e desorganizado, com trepadeiras de madressilva e jasmim. Esta primavera cultivei alguns vasos e criei sementeiras, mas não obtive sucesso. Algumas acabaram por secar e os girassóis nem chegaram a brotar! Adoro viver em Azeitão, mas o clima seco no verão está a deixar-me descontente. Tenho sede de viver num outro lugar, onde o clima fosse mais brando e onde pudesse sentir durante o ano ar fresco e leve e não aquele vento quente, pesado e mórbido que se faz sentir aqui onde vivo. Mas vir viver para aqui, para Azeitão (que fica a 20 minutos de onde vive a minha família) já trouxe muitas complicações, por isso não posso imaginar como seria deslocar-me para outro lugar... 
Sempre ouvi historias em que os alentejanos durante o dia se fechavam em suas casas devido ao calor, pois bem há dias aqui em que também eu me fecho em casa, porque o calor é muito, ultrapassa os 40 graus e o sol no jardim torna-se insustentável! Confesso que só nestes dias de extremo calor me lembro de como era bom viver junto ao mar e receber aquela brisa marítima fresca, ao abrir de uma janela. As alterações climáticas mudaram muito o clima nos últimos anos, o verão que tínhamos era meigo e doce este é agressivo. A paisagem fica triste, a cor desvanece e dá lugar a um amarelo cor de palha. Há pessoas que deprimem no outono inverno eu deprimo no verão. 

O meu trabalho é feito a partir do atelier que tenho no sótão da casa. As ultimas encomendas fi-las na sala. Levei o necessário para lá porque era mais fresco e assim era suportável trabalhar. Ontem compramos um ar condicionado para o atelier. Cá em cima rondavam os 36 / 38 graus era impossível trabalhar. 

Nestes meses de Covid e de extremo calor tenho reflectido muito sobre o meu propósito. Preciso de pensar na minha busca por um trabalho sustentável, já que este ano fechei a actividade no meu negócio de Airbnb. Eu sou uma pessoa cuja a minha caixa de ferramentas se enche de habilidades e ser criativa para mim é tudo. Fiz uma lista com ajuda do workshop (gratuito) da Catarina Temporão dos meus talentos. Dito isto assim, parece algo pretensioso, mas sim, todas nós temos algo que gostamos de fazer e fazemo-lo bem. Um dos exercícios do workshop da Catarina era perguntar justamente a amigos "que talentos encontravam em nós"? Perguntei unicamente ao meu marido, com vergonha de incomodar as minhas amigas com este tipo de perguntas tolas, que de tolas nada tem! Ao que ele me respondeu: tens jeito para ouvir e conversar. Sei que muitas pessoas gostam de conversar comigo e também eu sou uma grande adepta de uma boa conversa de amigas, mas agora sou eu quem precisa de ser ouvida e que precisa de encontrar caminho. Enquanto isso irei passar a escrever mais vezes no blog e mostrar-vos a minha fotografia, documentar a vida no campo, e o resto há-de surgir. Talvez assim encontre o meu talento, o meu propósito.

Obrigada por me lerem.


6 comentários

  1. Normalmente as pessoas que gostam de escutar e de conversar, têm sempre muito para escrever, por isso nesta sua reflexão e desejo de ser ouvida, vá "falando" connosco, ainda que por escrito e nós responderemos e que belas conversas surgirão. Falo por mim!

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    1. Eu gosto muito de escrever, não me importa se tenho jeito ou não, pois não pretendo ser escritora :) apenas o faço por gosto. É bom saber que desse lado alguém se interessa.
      Muito obrigada!

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  2. Boa tarde!
    Gostaria de lhe dar os meus Parabéns pelo seu site, o qual já visito há alguns anos. Acredite que me sinto em casa!
    Gostei imenso da profundidade e da transparência das palavras que teceram o seu belíssimo texto!
    No meu caso, adoraria viver num monte alentejano, no interior, ou na costa vicentina. Tenho uma enorme paixão pelo Alentejo, embora goste muito da cidade do Porto, a cidade que fica mais perto da localidade onde vivo.
    Como sabe, no Norte, o ar é mais fresco, por isso, talvez, gostasse de aí viver.
    Há locais que enchem a nossa alma e nos fazem mergulhar no nosso interior. É uma forma de nos conectarmos com a nossa verdadeira essência e de descobrirmos o nosso propósito de vida.
    Espero que redescubra novos talentos e que continue a deliciar-nos com os seus textos e com as suas belíssimas fotografias.
    Beijinhos de Luz e muitas Felicidades.
    Olívia Magalhães

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    1. Que comentário tão bonito! Agradeço cada palavra. Por vezes pensamos que escrevemos e que desse lado ninguém se importa ou se identifica, mas não. E bom e gratificante saber que temos leitores que apesar dos anos passarem, continuam por cá. Espero que um dia possa encontrar um lugar cá mais a sul. A costa vicentina é muito bonita, campo e mar parece-me perfeito. Beijinhos Olívia.

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  3. Compreendo perfeitamente o que dizes. Apesar de adorar tudo o que o Verão nos traz (tirando o calor) e de adorar a praia e de mergulhar nos rios, o Verão cansa-me e dou por mim a ansiar que chegue o Outono.
    Felizmente vivo num sítio em que apesar de termos dias quentes nunca são tão quentes como nos outros sítios (bem dito microclima!)
    Fico muito feliz por continuares a partilhar as tuas fotografias da natureza e os teus pensamentos porque realmente são quase terapêuticas. Eu vou continuar por aqui :*

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    1. Muito bom ter a tua companhia por aqui Dulce, fico contente por isso. Esse microclima e toda a natureza que envolve o lugar onde moras é uma tentação, não só para visitar, mas sim para morar! É daqueles sítios mágicos ; )

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