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Chá de agulhas de pinheiro

1 de março de 2021


Em Novembro abri um dos meus livros de botânica e procurei uma receita natural para a tosse e expectoração. Nesse livro descobri este chá de agulhas de pinheiro. Como moramos no campo, existem imensas zonas de pinhal. Pesquisei um pouco mais sobre este chá de Pinheiro, para me certificar da veracidade. No youtube também vi imensos vídeos sobre o tema, foi então que comecei a fazer este chá.

 Acrescento sempre umas gotas de sumo de limão. 

Podem abrir este link e seguir a receita.

Conforto na cozinha

28 de janeiro de 2021



O meu filho já me tinha pedido para fazer um bolo de chocolate. Hoje foi o dia. Há dias em que um doce, faz maravilhas num dia de escuridão interior.

A receita foi tirada do livro de "Receitas para uma digestão tranquila" de Cecilie Hauge Agotnes.

Bolo de chocolate sem gluten.

Confinamento / Janeiro 2021

23 de janeiro de 2021



Estou deitada sobre a cama. Não sou pessoa de me encostar, dormir uma sesta ou ficar no quarto quando ainda é dia, mas, dias não são dias e hoje quebrei essa postura. 

Deitada sobre a cama, leio um livro embalada pelo pequeno som que chega do vento. Um sussurro fraco num dia de inverno. A janela permanece aberta desde o almoço. Gosto do ar fresco e renovado que invade o quarto. Enquanto escrevo este post, algo raro acontece, perco a linha do texto que me prendia e agarro-me ao som de um avião, que ouço rasgar o céu semi escuro. Um avião que me lembrou que gostaria muito de voltar uma terceira vez a Paris. Mas de imediato este pensamento é irracional, ao ponto de me fazer questionar o direito que teria eu de pensar em viagens (?) ... e esqueço! Não é algo prioritário e não é de todo o que mais desejo - ponto. 


Estar em casa é ficar atenta a estas pequenas coisas, coisas essas que me distraem e me fazem companhia no meu silêncio. Antes mesmo de me estender sobre a cama e começar a ler, acendi uma vela, por todos os que precisam de luz, por pessoas amigas, pelos próximos e não próximos. Está sobre o meu lado direito. De vez em quando olho para ela e fixo-a e penso nem mesmo a janela aberta, perturba a sua chama. Intacta, serena, segura sem se desviar do seu propósito ali está ela iluminada. Já o meu lado esquerdo interno, debaixo do peito, inquieta-se e preocupa-se.


Na ausência de tudo, despertam-se os sentidos e ficamos famintos, vulneráveis e atentos ao nada que de repente passa a ser tudo. Valorizamos o que temos e o que não temos e nesta tomada de consciência só temos que agradecer e agradecer. 


A chávena de chá arrefeceu, a noite chegou é hora de fechar a janela e a cortina. Pousar o livro e deixá-lo também ele descansar, dar-lhe uma pausa e congelar o momento onde fiquei. 


Devaneios à parte que as estrelas são reais e é na escuridão que nos iluminam caminho.


Presentes feitos em casa / Compota de amoras silvestres

23 de dezembro de 2020


Neste Natal decidimos que só íamos dar presentes apenas às crianças da família e aos adultos presentes feitos em casa.

No verão, fomos muitas vezes à serra passear e num desses passeios aproveitámos para apanhar amoras silvestres. Fiz a compota de amoras em setembro e pensei guardá-la para oferecer em Dezembro no Natal. Os frascos são frascos reutilizados, a fita de seda já tinha e os cartões escrevi-os à mão numa folha de algodão de um bloco de aguarela. A receita é sempre a mesma, a do livro da Pantagruel. 

Este ano tinha combinado com uma amiga que mora aqui em Azeitão irmos juntas com as nossas crianças apanhar medronhos para fazermos licor de medronho, mas com as restrições e os cuidados receámos... porém, certamente que em 2021 o faremos todos juntos e em circunstâncias mais felizes! 



Limpeza digital

28 de novembro de 2020



Já tinha ouvido falar do minimalismo digital. Recentemente também ouvi um podcast em que a Cláudia Fonseca do Holística entrevistava a Krystel Leal e ambas falavam, de como "viver sem as redes sociais". Bom, não sou tão radical ao ponto de apagar tudo ou viver sem as redes! Afinal eu adoro Internet! 

Mas muitas coisas fizeram-me algum sentido. Olhei para o meu telemóvel e constatei que tinha uma série de aplicações que não usava e muitas penso que nem as cheguei abrir! É impressionante como passamos a vida a acumular. Fiz uma limpeza e deixei apenas o que realmente era útil para mim. No Instagram fiz o mesmo nos items guardados: decorações, receitas, styling, viagens, recortes e mais recortes em forma virtual, ali tudo acumulado. Da minha minha conta pessoal de instagram apaguei 265 seguidores e ainda tenho 68 pedidos, muitos de marcas que nunca ouvi falar na vida! Havia pessoas pelas quais nutro alguma estima e simpatia, mas a questão não se trata de simpatias, mas sim de querer proteger-me. Apaguei seguidores que nunca lhes vi a cara, perfis sem rosto, perfis com apenas posts de "coisas", pessoas com quem eu partilhava a minha família e os meus, sem que nunca as tivesse conhecido pessoalmente. Depois do que passei recentemente, isso também me deixou mais apreensiva e calculista. 

Tenho uma conta aberta para todos vós, onde dou a cara, onde faço partilhas bonitas para convosco, onde escrevo e mostro um pouco sobre mim. Não vos sou totalmente desconhecida, de vez em quando lá perco a timidez e saio detrás dos bastidores. E tenho este blog! O resto é pessoal. 

Até breve, no by Deva.

Vida Doméstica

24 de novembro de 2020


Por vezes é tão difícil conciliar um trabalho em casa com a vida doméstica, principalmente quando não se tem ajudas. Algumas de vocês que estão a trabalhar a partir de casa, ou em teletrabalho sentem o mesmo?

Acordei muito cedo, mas só consegui tomar o pequeno almoço já depois das 9 horas. O meu marido hoje está em casa, o Tomás este ano passou a ter o horário da tarde, com o horário da manhã era tudo mais fácil. Hoje almoçamos todos em casa, ao jantar como é óbvio também, mas há dias em que uma pessoa parece que não sai da cozinha e que vive em piloto automático. Subo ao atelier para escrever no blog, ou editar uma fotografia, levanto-me várias vezes e interrompo o que estou a fazer outras quantas vezes. A máquina da loiça apita e levanto-me, o Tomás tem um teste para assinar, o meu telemóvel toca e atendo, a sopa já deve estar feita, etc... No meio disto tudo, tenho a sorte do meu filho ser muito autónomo nos estudos e não precisar da nossa ajuda. Mas quanto ao meu tempo, eu sinto que preciso muito de criar um hábito e objetivos para ter uma rotina mais certinha e mais focada nas minhas coisas. Talvez não esteja a ser suficientemente organizada! Talvez não saiba gerir o meu tempo! Deve ser isso. 

Comecei recentemente a escrever num caderno uma lista de coisas que quero fazer durante o dia, como uma ferramenta de orientação. Dizem que planificar ou ter uma agenda ajuda a definir os objetivos diários. Ontem para meu grande azar, depois de ter tudo mais ou menos estruturado e ter deixado espaço para finalmente ter a tarde livre de tarefas, saí para a rua com o telemóvel para atender uma chamada que tinha pouca rede e bati a porta esquecendo-me que as chaves tinham ficado dentro de casa! Fiquei no jardim, três horas até o meu marido chegar. Sou bastante distraída e parece que com a idade estou pior! Sou aquela pessoa que anda à procura de algo, porque não sabe onde pôs ou aquela pessoa que sai de carro e volta a casa porque se esqueceu do telemóvel. A minha mãe costuma dar-me um recado e lembrar-me do mesmo algumas vezes. Ando cansada e tenho passado na minha vida alguns desafios que me têm tirado alguma paz e depois esta pandemia que nos obrigou a todos a ter uma vida fechada e com poucos recursos. Temos que ser muito cautelosos. 

Bom, parece que estive todo o tempo a queixar-me, mas sinto-me grata por tudo o que tenho, e pela minha vida especialmente. Só tenho que encontrar uma forma de me organizar melhor e ser mais produtiva nas outras áreas. 

Gostar de nós

22 de novembro de 2020


Se a passada semana foi uma semana cheia de emoções negativas com preocupações a nível familiar e pessoal este fim de semana trouxe-me a paz que eu precisava. No meu seio familiar, na minha casa, com toda a simplicidade deixo os dias e as horas decorrerem ao seu ritmo e é justamente nesta calma que dou graças a Deus por ter saúde e ser alguém de valor. Gostar de nós é tão importante para conseguirmos ultrapassar as nossas feridas internas, os nossos receios, as nossas sombras. Na minha vida não há espaço para rancores, para má fé, para zangas, para medo. O mundo não é perfeito, nós também não, por isso existe o perdão e é quando perdoamos ou pedimos perdão com o coração, que podemos seguir em frente, mais leves. Dói, mas tem de ser. Na vida não podemos obrigar a que todos gostem de nós, a dizer sim para agradar, a sorrir quando não temos vontade. Na verdade só temos de ser verdadeiros para connosco e isso não quer dizer que sejamos más pessoas, ou que a outra pessoa também o seja. Por vezes, existem incompatibilidades e maneiras de estar e ver diferentes e está tudo bem. Nem eu sou obrigada a identificar-me com alguém, nem alguém o é comigo. E simplesmente seguimos caminho nem que seja sozinhos, que aos poucos encontraremos as pessoas com as quais nos identificaremos. 


Desde do confinamento eu passei a ter menos tempo para mim, para a minha criatividade, para os meus passeios de contemplação, que é muito do que inspira os meus dias. Digamos que é mesmo a minha melhor terapia ou meditação. A minha vida doméstica sobrepôs-se totalmente a tudo o que eu fazia antes da pandemia e passei a ficar sem tempo para fazer tudo. Passei a dormir mal, a ficar mais ansiosa, mais cansada. O meu marido passou a estar mais tempo em casa e eu perdi o meu negócio em março. É difícil, chegar a meio do mês e fazer esticar um orçamento, é difícil nos habituarmos a não fazer escolhas, porque simplesmente não temos oportunidade de escolher e é mais difícil ainda, quando somos pais e nos privamos. Porém, apesar de a vida me mostrar este lado mais incerto e menos bom, a vida deu-me oportunidade de reflectir e é no meio destes momentos de privação que eu sou grata, muito grata e feliz com o "pouco" que tenho. É também no meio desta incerteza que a  pandemia me deu espaço para no meio dela encontrar a paz no desespero. 


Se há coisa que me aborrece e protesto é a falta de tempo para fazer o que gostaria, de resto está tudo bem.  E está tudo melhor quando: tenho uma casa para viver, quando tenho a família com saúde, quando acordo ao lado de quem amo, quando o meu filho traz tão boas notas, quando falo com os meus pais, quando fazemos um lanche com os restos que existem na despensa, quando tenho o suficiente para os meus dias, quando escrevo no meu blog e tiro fotografias bonitas, quando vejo o lado positivo das coisas, etc... 


uff... foi uma semana em que muitas coisas desabaram em cima de mim e me vi abalada e quase me deixei ir numa maré de negativismo, mas felizmente libertei-me. Gostar de nós é a base da nossa felicidade, acreditar e ter fé também. 

A sombra abre o caminho para a luz.

16 de novembro de 2020


Termino esta semana com esta fotografia. Que tem tanto de mim nela, como ela em mim. E em cada um de nós (penso). Foi uma semana a nível pessoal muito difícil, escura e sombria, em que me senti sem chão, sem caminho e direção. Mas deixo hoje, neste momento presente, para trás todas as emoções que me causaram desconforto e sofrimento. E sigo. Tudo na vida nos serve como aprendizagem. Haja luz no nosso caminho para sabermos onde calcamos os nossos pés.

Feliz semana e lua nova para todos!

Comprar a Granel

12 de novembro de 2020

Aos poucos estou a tentar mudar alguns hábitos cá em casa, nomeadamente, no que diz respeito às compras. É muito mais fácil e rápido irmos ao supermercado e enfiar os pacotes de tudo e mais alguma coisa no cesto das compras (tantas vezes o fiz e faço ainda em última instância), mas tento contrariar essa tendência e comprar a granel; não por ser moda, mas porque sai muito mais barato! 

Na nossa casa não existe despensa, então esta simples prateleira com frascos ikea foi o "salva-vidas" que rapidamente se tornou numa suposta despensa. Já devem ter reparado nesta fotografia em outros posts no Instagram. 

Aqui nestes frascos de vidro é onde guardo tudo, desde as massas, ao arroz, às farinhas, às aromáticas ervas secas e às cheirosas e mágicas especiarias. Também se guardam as bolachas e os cereais para os mais gulosos cá de casa! Em suma, nos vidros podemos guardar todos os secos e desidratados. Nas minhas prateleiras os frascos são quase todos ikea, porque já têm imensos anos e porque hermeticamente fecham muito bem. A nossa micro cozinha é muito húmida no inverno, alguns alimentos criavam rapidamente bolor e assim fica tudo mais protegido, sem correr o risco de os alimentos se estragarem. Também tenho uma panóplia de frascos reutilizados: desde os de polpa de tomate, de doces, de mel, etc... 


As compras:

Por norma aproveito os mercados de rua mensais da nossa região e é aí que tento reabastecer a despensa. É também uma simples forma de dar algum apoio e suporte a quem mais precisa. 

Costumo comprar muita abóbora, porque estamos na altura dela e parti-la e congelá-la para a sopa, ou para uma compota ou puré. Aproveito e compro também ramos de manjericão, oregãos, salsa e corto tudo e congelo. Adoro mercados e feiras, pena que agora tenhamos que circular com mais cuidado e fazer tudo em modo apressado. 

Uma forma de oferecer um presente original e diferente é mesmo ir a um mercado de rua e comprar alguns alimentos e oferecer num cabaz usado que tenhamos a mais em casa. Ou fazer uma compota de abóbora, com umas bolachas de aveia, canela e noz feitas por nós. São gestos muito significativos e estamos ajudar os pequenos agricultores, aqueles que trabalham no campo e têm o seu rendimento através das feiras e mercados.

Deixo-vos hoje com uma receita.


Molho de tomate caseiro:

Num tacho ponho uma grande cebola, dois dentes de alho se forem muito grandes ponho apenas um, tomate caseiro daquele suculento, um pouco de pimento vermelho, umas generosas folhas de manjericão fresco, oregãos, pimenta moída, sal grosso e um fio de azeite extra virgem. Deixo ao lume em lume brando até ficar cozinhado. Depois é só dividir e congelar.



Viver o agora

9 de novembro de 2020

Por aqui, continuamos sem pressa a viver devagar ao nosso ritmo. E como vivo eu neste ritmo acelerado de contra relógio, em que hoje é segunda-feira e amanhã é fim do mês? Bom, para começar sempre fui uma pessoa do aqui e agora. É claro, que Eckhart Tolle teve o seu peso, conta e medida nesta tentativa de modo de vida, mas tento me focar no presente. A minha mãe e o meu marido sempre me disseram que devia pensar no amanhã. Acontece, que continuo literalmente na mesma! Se faço bem ou não, não sei... mas é assim que me compreendo.


Tirando os picos de calor extremo no verão, tento ao máximo aproveitar e respeitar os ciclos naturais das estações. Viver sazonalmente é mesmo isto, não ter pressa no dia de amanhã e viver o presente com o que temos e aprender com ele, o que nos dá e trás; porém, não deixando nunca de depositar esperança no amanhã. O que foi, já não é, o bom fará parte da nossa morada consciente e trataremo-lo como um bom hóspede que se hóspeda nos recônditos da nossa memória, o menos bom... bem esse é deixar partir ao seu ritmo.


Não pensem que vivo permanentemente tudo isto como uma super mulher, um exemplo ou de ânimo leve. Por detrás das fotografias bonitas da by Deva, existe uma pessoa calma mas sensível. Segura, mas ansiosa. Meiga, confiante e por vezes frágil. 


Mas aprendi isto: Estejas sem rumo, triste, desmotivada, escolhe um lugar de silêncio e  fecha os olhos, respira e pensa no melhor  que tens de ti, escuta-te e ouve-te. E sê grata, sempre grata por estar aqui e agora.


Aconteça o que acontecer vive o teu presente, acredita sempre em ti. Porque te mereces! 

No dia de Halloween

4 de novembro de 2020


Decidi passar a escrever mais vezes no blog. Quero que fique aqui o registo das minhas fotografias e dos meus posts, para um dia mais tarde me lembrar do que escrevi ou simplesmente vir aqui ver.

Não tenho tido pouco tempo livre, para ser criativa e fazer as coisas que eu realmente gosto. Tenho imenso trabalho em casa, lá fora e no dia a dia. Infelizmente não tenho ajudas de família, avós ou de alguém. Hoje foi outro dia cheio. Ando muito cansada e a dormir mal. De manhã acordei eram 7:15 e só me sentei para almoçar, agora escrevo enquanto não chegam para jantar. Durante a manhã fiz sopa de legumes, pasteis de bacalhau, arroz de feijão, uma lasanha de frango desfiado e preparei recheio para pizza vegetariana. Ontem à noite fiz 5 tabuleiros de bolachas caseiras, porque não quero comprar mais bolachas embaladas. Passo horas numa lenga-lenga com as minhas rotinas domésticas. 

Desde o confinamento, tenho saído muito pouco ou quase nada. Houve um dia que tive que ir ao shopping de propósito comprar roupas para o meu filho e fiquei numa fila para entrar numa loja uns 30 minutos, isto após as 21:00 horas num dia de semana.  Ao passar pelo corredor do shopping reparei que o natal estava à espreita em quase todas as montras. Era dia 12 de outubro e haviam árvores de natal e montras cheias de natal! Percebo, que o comércio precisa e muito de facturar e que está a ser um dos sectores mais afectados por esta pandemia, mas num dia que fez imenso calor e que ainda se sentia verão, chegar ao shopping e ver pinheiros de natal à venda, achei na minha opinião despropositado. E pensei: o que fizeram ao outono? Será que estamos a viver à pressa? O tempo está a passar tão rápido, que num momento estamos no final do verão e no outro estamos quase a chegar ao natal! Vocês não sentem o mesmo? 

No dia da chamada "Lua azul" fomos à serra de noite para observar a lua. Estava uma lua muito intensa, brilhante e bonita. O sítio convidava a sentar, e o fenómeno astronómico convidava a fechar os olhos e simplesmente deixar a mente esvaziar a nossa escuridão interior e pedir novas intenções, mas à minha volta ouvia constantemente: que decepção, a lua não está azul! A serra à noite é horrível! Podemos ir embora? E fomos... lá se foi o evento cósmico!

Algures vindo do meio da floresta, ouvi sempre a voz de uma criança e de adultos no meio daquela imensa noite. Com a pressa de regressar a casa, reparei que tinha deixado um cristal lá esquecido no chão. Na manhã seguinte voltei, ao mesmo lugar para o recuperar e lá estava ele. Caminhei um pouco antes de voltar para casa e descobri um novo trilho, com uma subida cujas raizes dos pinheiros faziam como se fossem degraus. Havia algumas árvores deitadas no chão, medronhos redondos como berlindes, bagas vermelhas, cor de rosa e pretas e a floresta estava finalmente verde! Por momentos apeteceu-me ficar ali, ficar sem limite de tempo, simplesmente ficar. Absorver os cheiros, ouvir apenas o som da natureza e sentir que naquele espaço, tudo é verdadeiro, puro, natural, genuíno e único. 

Diante de mim havia duas tendas e de repente uma voz me chamou: venha! 
Era uma família que tinha ido celebrar o halloween à serra eram as vozes que na noite anterior eu ouvira.  Desci e fui ao encontro daquela família. Havia uma fogueira com tachos onde foi feita uma sopa de abóbora e feijão. Havia fantasmas de pau e lençol encostados a um pinheiro. Havia uma criança feliz, livre e cheia de histórias para contar e de terra também. Por momentos todo aquele ambiente me fez lembrar os festivais celtas, o reino encantado das deusas, dos seres da natureza e das fadas, a energia de Beltaine. Fez-me lembrar as noites em que ficava a ler "As brumas de Avalon, de Marion Zimmer Bradley". 

Cheguei a casa com os braços cheios de ramos secos, bagas e folhas para criar algo que também a mim me encantasse... não deixei de pensar na coragem daquelas pessoas de terem pernoitado ali e ao mesmo tempo a sorte de estarem em total comunhão com a natureza; mas também eu agradeci de nesta altura ter um sitio seguro para passear, mesmo que seja por vezes breves instantes.

Até amanhã.