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No dia de Halloween

4 de novembro de 2020


Decidi passar a escrever mais vezes no blog. Quero que fique aqui o registo das minhas fotografias e dos meus posts, para um dia mais tarde me lembrar do que escrevi ou simplesmente vir aqui ver.

Não tenho tido pouco tempo livre, para ser criativa e fazer as coisas que eu realmente gosto. Tenho imenso trabalho em casa, lá fora e no dia a dia. Infelizmente não tenho ajudas de família, avós ou de alguém. Hoje foi outro dia cheio. Ando muito cansada e a dormir mal. De manhã acordei eram 7:15 e só me sentei para almoçar, agora escrevo enquanto não chegam para jantar. Durante a manhã fiz sopa de legumes, pasteis de bacalhau, arroz de feijão, uma lasanha de frango desfiado e preparei recheio para pizza vegetariana. Ontem à noite fiz 5 tabuleiros de bolachas caseiras, porque não quero comprar mais bolachas embaladas. Passo horas numa lenga-lenga com as minhas rotinas domésticas. 

Desde o confinamento, tenho saído muito pouco ou quase nada. Houve um dia que tive que ir ao shopping de propósito comprar roupas para o meu filho e fiquei numa fila para entrar numa loja uns 30 minutos, isto após as 21:00 horas num dia de semana.  Ao passar pelo corredor do shopping reparei que o natal estava à espreita em quase todas as montras. Era dia 12 de outubro e haviam árvores de natal e montras cheias de natal! Percebo, que o comércio precisa e muito de facturar e que está a ser um dos sectores mais afectados por esta pandemia, mas num dia que fez imenso calor e que ainda se sentia verão, chegar ao shopping e ver pinheiros de natal à venda, achei na minha opinião despropositado. E pensei: o que fizeram ao outono? Será que estamos a viver à pressa? O tempo está a passar tão rápido, que num momento estamos no final do verão e no outro estamos quase a chegar ao natal! Vocês não sentem o mesmo? 

No dia da chamada "Lua azul" fomos à serra de noite para observar a lua. Estava uma lua muito intensa, brilhante e bonita. O sítio convidava a sentar, e o fenómeno astronómico convidava a fechar os olhos e simplesmente deixar a mente esvaziar a nossa escuridão interior e pedir novas intenções, mas à minha volta ouvia constantemente: que decepção, a lua não está azul! A serra à noite é horrível! Podemos ir embora? E fomos... lá se foi o evento cósmico!

Algures vindo do meio da floresta, ouvi sempre a voz de uma criança e de adultos no meio daquela imensa noite. Com a pressa de regressar a casa, reparei que tinha deixado um cristal lá esquecido no chão. Na manhã seguinte voltei, ao mesmo lugar para o recuperar e lá estava ele. Caminhei um pouco antes de voltar para casa e descobri um novo trilho, com uma subida cujas raizes dos pinheiros faziam como se fossem degraus. Havia algumas árvores deitadas no chão, medronhos redondos como berlindes, bagas vermelhas, cor de rosa e pretas e a floresta estava finalmente verde! Por momentos apeteceu-me ficar ali, ficar sem limite de tempo, simplesmente ficar. Absorver os cheiros, ouvir apenas o som da natureza e sentir que naquele espaço, tudo é verdadeiro, puro, natural, genuíno e único. 

Diante de mim havia duas tendas e de repente uma voz me chamou: venha! 
Era uma família que tinha ido celebrar o halloween à serra eram as vozes que na noite anterior eu ouvira.  Desci e fui ao encontro daquela família. Havia uma fogueira com tachos onde foi feita uma sopa de abóbora e feijão. Havia fantasmas de pau e lençol encostados a um pinheiro. Havia uma criança feliz, livre e cheia de histórias para contar e de terra também. Por momentos todo aquele ambiente me fez lembrar os festivais celtas, o reino encantado das deusas, dos seres da natureza e das fadas, a energia de Beltaine. Fez-me lembrar as noites em que ficava a ler "As brumas de Avalon, de Marion Zimmer Bradley". 

Cheguei a casa com os braços cheios de ramos secos, bagas e folhas para criar algo que também a mim me encantasse... não deixei de pensar na coragem daquelas pessoas de terem pernoitado ali e ao mesmo tempo a sorte de estarem em total comunhão com a natureza; mas também eu agradeci de nesta altura ter um sitio seguro para passear, mesmo que seja por vezes breves instantes.

Até amanhã. 

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