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A Senhora da Carroça,

19 de dezembro de 2015


faz-me lembrar de ti avó, talvez pela idade, por ser magra e seca, pelos seus cabelos brancos ou pela roupa preta; talvez seja um pretexto para te dizer que tenho tantas saudades tuas e que me fazes muita falta; ou talvez seja essa uma desculpa para quando a vejo passar da minha janela me lembre de ti. Vejo-te na janela do teu segundo andar, lá fora é Outono e os pássaros fazem muito barulho, pareces não te importar com isso, estás ali de pé serena e em silêncio. Na bancada da cozinha há tigelas de marmelada e frascos de café com geleia, mas cheira a croissants de chocolate da Macuta, uma novidade acabada de chegar e pedes-me para ir buscar um para cada uma. Mas não faças leite avó, porque deixas sempre aquela nata e eu não gosto. A cozinha ainda cheira a peixe frito, estiveste horas de volta do fogão a fritá-lo e a fazer sopa de peixe. A mim apetecia-me comer aquele bife com molho e as tuas batatas fritas. Sim, antes do almoço eu vou lá abaixo buscar o pão. Sabes avó eu agora faço a sopa de peixe com a massa de cotovelos e a folha de hortelã, é quase igual à tua e o meu filho sabe que fazias esta sopa melhor que ninguém. Sentamos no sofá ao som do relógio da sala de estar, eu deito a cabeça no teu colo e sei que voltas a falar para mim, quando terminares o teu terço. Olho para o teu cabelo e penso: é tão bonito! E, as mãos como são também bonitas. Contam uma vida e contam com lentidão e  afinco as contas do terço. Na minha mão esquerda uso a aliança de casamento, a tua aliança avó que me deixaste para quando eu casasse. Mas é hora de ir andando, os meus primos estão quase a chegar do colégio e já tens companhia, amanhã ou depois eu volto cá. Amanhã ou depois sei que irei resgatar da memória momentos teus e no meu silêncio vou encontrar as tuas palavras. A minha já sabes qual é, saudade.

A senhora da carroça tem noventa anos. Sempre a vi a passar assim. Quando o Tomás era bebé e ouvia o som da carroça eu dizia-lhe que se não comesse, aquela senhora levava-o na carroça dela (que cruel...!). E, ele comia. A minha avó costumava dizer-nos que vinha a cigana. O Tomás cresceu e a senhora ainda passa na mesma rua, da mesma maneira, a diferença é que hoje o Tomás acena-lhe e ela sorri. 

Simple food (77)

16 de dezembro de 2015


O que fazer com fruta madura? Tartes!
(poderá chamar-se tarte a este pequeno fenómeno de forno?)

Tarte de Pêra:
Cozer as pêras com um fio de xarope de mapple, canela, nozes e avelãs partidas aos bocadinhos. Passar tudo até ficar em puré. Divida uma embalagem de massa quebrada em duas partes iguais. De uma das partes forre a tarteira e deite o puré da fruta, de seguida estenda a outra metade da massa e cubra toda a superficie. Pincele com ovo e leve ao forno até cozer a massa.

Things I Love on Tuesday (17)

15 de dezembro de 2015










(Imagens via Pinterest)

Things I Love on Tuesday ♥

Afinal, só faltam duas mãos, dez dias para o Natal! Aqui em casa os presentes estão feitos (faltam embrulhar), já temos as velas pela casa acesas, alguns enfeites na casa e o presépio, mas nestes dez dias que se aproximam ainda temos tempo de preparar o que falta. E porque faltam dez dias, hoje ficam aqui dez ideias alusivas ao Natal:

1 - Navegar pelas redes sociais e surpreendemo-nos com os dotes culinários e decorações de bolos para as mesa de natal! Abusem das renas e veados e das coberturas coloridas sem abusar nos corantes. Ah, não se esqueçam das filhoses e rabanadas!

2 - Enfeitar a casa seja ela de campo, neve ou cidade. O que importa é o espírito e a criatividade de cada um. 

 3 - Adoro esta altura do ano em que a natureza nos brinda com bolinhas de bagas vermelhas. 

4 - Este ano atrasamo-nos e ainda não fizemos a nossa árvore de natal. O nosso pinheiro é artificial e gigante e ainda não sei muito bem onde o vou colocar. Adoro árvores de natal com pinheiros a sério. Temos imensa sorte por termos imensos pinhais e matas onde ir buscar um pinheiro natural, mas é importante saber se podemos ou não apanhar e convém não esquecer de depositá-lo num vaso para depois devolvê-lo à terra.

5 - Sou apologista dos presentes handmade. Existem muitas opções para criarmos presentes giros de natal sem gastar muito dinheiro. O campo mais uma vez oferece-nos todos os recursos, só temos que puxar pela imaginação.

6 - Este ano optamos por fazermos saquinhos de bolachas para oferecer. Espero ansiosa pelas férias de Natal do Tomás para que ele possa pôr as mãos na massa e ajudar-me. (depois mostro-vos o resultado)

7 - Personalizar etiquetas ou mesmo imprimi-las para enfeitar os embrulhos. No Pinterest existem imensos printables gratuitos. É aproveitar!

8 - Fazer uma coroa de Natal. As coroas são muito fáceis de fazer. Podem atar um ramo de ponta a ponta de alecrim ou de pinheiro e dar uma laçada com um fita larga vermelha que gostem. Tenho a certeza que fará uma vistaça na vossa janela ou porta!

9 - Usem e abusem das velas (com toda a precaução) dão sempre um ambiente acolhedor a qualquer casa. Criem castiçais em frascos de vidro com elementos naturais. Por fim atem um cordão com uma mensagem que gostem.

10 - Escrever um postal também pode ser um bonito presente de Natal. Passem nos CTT e escolham um postal solidário, com este gesto estamos a ajudar quem mais precisa. 

Simple food (76)

14 de dezembro de 2015

E hoje é isto. Uma receita cremosa e quentinha com as cores do nosso inverno que se aproxima. Podem guarnecer a sopa com lasquinhas de queijo da ilha, nozes, ou cranberries desidratados, a minha opção favorita!




Tapada de Mafra

10 de dezembro de 2015

Há sítios, lugares que fazemos questão de guardar na memória para quando nos quisermos deliciar estar a um só passo de o lembrar; há sítios ou lugares, em que fazemos questão de trazer de si pequenos pedaços dentro de uma caixinha guardados, como algo precioso, para ver ou simplesmente para ali estar; há lugares e sítios que para caberem em nós temos que nos repartir e voltar, ir e regressar, vezes e vezes, porque uma só vez não chega para conhecer e amar. A tapada de Mafra é um lugar assim, daqueles que guardamos em pensamento, que trazemos secretamente dentro dos bolsos e que segredamos, - sem despedida.











Da natureza com amor

6 de dezembro de 2015





Num dia de Outono, num breve passeio trouxe estes ramos de bagas. É quase Natal e andava mesmo cheia de vontade de trazer um pouco de natureza em tons de vermelho cá para casa!

É por aqui que começo

3 de dezembro de 2015

Passava das 8:30 e passeava eu sozinha por esta estrada. Por mim passou um ciclista de ar apressado, enquanto eu lentamente tomava o meu caminho em busca de bagas para fazer alguns arranjos florais. Acompanharam-me o som dos pássaros e os meus próprios passos sobre a terra de estrada batida. Adoro manhãs como esta, frescas e limpas. Pensei que poderia demorar-me no tempo e perder-me entre a natureza e a minha existência, neste lugar, mas voltei ao ponto de partida ainda com todo o sabor a liberdade. Terei de arranjar coragem de subornar o medo e arranjar uma medida justa para caminhar seguramente. Mas, se este medo sabe que o receio é porque estou a um passo de o vencer. Amanhã quem sabe os pés não me levarão de volta ao mesmo trilho.





Na Tapada de Mafra

30 de novembro de 2015







O meu marido já me falava há uns anos na Tapada de Mafra, pois costumava ir muitas vezes de serviço para a tapada militar. Este Outono, resolvemos ir até lá numa ida relâmpago, enquanto o Tomás estava na escola. A ideia era mesmo ir a dois, para depois voltar com os amigos e respectivos filhos. Estava um lindo dia de sol, a hora que chegamos não foi de todo a melhor, estávamos perto da hora de almoço e portanto fiquei com imensa pena de não conseguir fazer umas boas fotografias. No pouco tempo que lá passámos, tivemos a sorte de vermos de perto os veados e as suas crias. São animais adoráveis e a tapada é uma floresta encantadora. O nosso passeio foi mínimo, foi por pouco tempo, mas o pouco que durou, bastou para ter a certeza que vamos voltar muitas vezes! Não fosse eu uma fã incondicional da natureza. 

Para quem não conhece não deixe de visitar. Para quem tem outras sugestões de lugares encantadores rodeados de natureza e que queira partilhar, poderá escrever-me sugerindo esses mesmos lugares. Ia adorar conhecer novas florestas! 

Miniatura

26 de novembro de 2015






Nunca tinha tido um gato tão pequeno ou tão novo. Esta miniatura de gato veio para nossa casa com quatro semanas. Cabia dentro de um bolso das camisas do J. e adormecia na palma das nossas mãos. Tenho pena de não ter fotos de quando chegou, apenas me lembrei de registar algumas mas com o telemóvel, nada de especial. No dia 2 de Dezembro faz dois meses e por incrível que parece ainda não decidimos que nome dar-lhe! Pensei que não escolher nomes ligados a mantras ou indianos, os dois gatos iriam ter nomes de gatos; no entanto, tenho achar que os nomes de gatos são desinteressantes e peculiarmente lamechas. Quando olhei para esta miniatura pensei lhe chamar de Oliver, mas dar nome de gente a gato não é de todo simpático! Depois, pensei, por ser de raça inglesa seria Merlin, e depois por se parecer com um rato (quando chegou) ocorreu-me que também poderia se chamar de Mouse! E para contrariar cá em casa a maioria votou em Grey - que me lembra "as sombras de grey"! O gato sem nome precisa de um nome pois é tratado por "bichinha" e isto não é de todo bonito... por isso podem ajudar-me deixando a vossa opinião na caixa de comentários. Claro, que um nome não é o mais importante para um animal, mas que tem de o ter tem!

No alto da serra

23 de novembro de 2015





Chegamos de Lisboa e fomos matar saudades disto! De um lado da serra, uma paisagem escura e carregada de nuvens e chuva, do outro lado o céu azul e o sol a brilhar. Subimos a serra, num passeio de Domingo, num passeio que poderíamos repetir vezes sem conta todos os dias da semana. Subimos até ao alto, o ar é limpo, o som é apenas a música suave do vento, a vista em contraste entre o azul do mar e o verde da serra, e ficamos ali de pé e de mãos nos bolsos aconchegados um ao outro a resistir ao frio, enquanto os meus olhos contemplavam, a minha mente pensava: perante este mundo, perante as árvores, as montanhas, serras, rio e mar, perante a natureza, perante a nossa privilegiada existência, o que nos faltará para levar o Homem a praticar actos tão maldoso? 

Subitamente, um arco-íris encheu o céu cheio de cor!

Simple food (75)

10 de novembro de 2015




Esta é uma das minhas papas preferidas de sempre. Papa de amaranto com banana caramelizada. O amaranto é um grão com mais de 8.000 anos, muito usado antigamente pelos incas, maias e astecas. Este cereal é isento de glúten e rico em fibras, cálcio e ferro. Pouco se ouve falar dele, mas é tão bom ou melhor que a aveia ou a quinoa. Podemos usá-lo nos batidos, nas saladas, junto com o arroz ou com a quinoa, mas é em papa que gosto mais, não sei se será pela textura ou pelo sabor de ser cozido com o leite. Esta receita é bastante nutritiva, boa para um pequeno-almoço ou lanche. Para adoçar e ficar ainda melhor podemos caramelizar banana e juntar a esta papa ou outra. 
Fiquei a conhecer esta receita quando fiz a dieta da Kate é do blog Compassionate Cuisine, a sua autora chama-se Márcia Gonçalves, tal como eu. Alterei um pouco a receita ao juntar alguns ingredientes. Espero que façam porque é mesmo deliciosa!

Receita: papa de amaranto com yogurte grego e frutos secos

Começamos por caramelizar a banana. Numa frigideira anti-aderente cortamos uma banana em rodelas  e sem gordura nenhuma pomos a caramelizar de um lado e de outro as fatias até ficarem douradas. Este truque é óptimo para outras papas.

Num tachinho pequeno usei duas chávenas de café de leite de amêndoa, um pau de canela, e três colhes de sopa generosas de amaranto. Deixa-se ferver tudo em lume brando durante uns 15 minutos. Enquanto ferve juntei duas colheres de sopa de mistura de sementes (truque da minha prima Raquel: ter sempre um frasco com a seguinte mistura de semente: linhaça, sésamo e girassol) e a banana caramelizada (previamente esmagada com o garfo). Mexer tudo até a papa ficar cozida.

Numa juntar amêndoas, nozes ou avelãs. Sementes goji e para quem quiser ir mais além, a papa fica ainda mais deliciosa com uma colherada de yogurte grego, como na fotografia. Para finalizar um fio de mapple ou de mel (nesta receita não usei).

Tarde de Outono

8 de novembro de 2015



Domingo maravilhoso este, que nos permitiu aproveitar o sol e fazer um montão de coisas no jardim, em casa e ainda sobrar tempo para fazer um piquenique naquele lugar a que chamei um dia de "vale encantado". 

Não me canso de elogiar esta estação, este Outono maravilhoso que se veste de verde e tons ocre. A chuva transformou toda a paisagem e soubesse eu pintar, e pintaria telas e folhas brancas com as cores deste Outono. É por isso, que só me apetece fotografar aquilo que não sei pintar.

Tarde de Outono