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{Imagem - Gwendolyn Kraehenfuss}

O tempo foge-nos por entre os dedos como areia fina que nos escorrega das mãos em dias de vendaval. Entramos em contagem decrescente e aproxima-se a incerteza. Sinto o frio na pele e o gelo nos olhos ao virar cada esquina. Involuntariamente saberia que o dia viria a caminho, e que a viagem seria rápida.

Seca-me a boca, a saliva e, no rosto rolam-me lágrimas descompassadas. Procuro soluções na capa e contra capa de um capítulo que imagino já ter sido escrito e rescrito.

Murmure-mos palavras de encorajamento em aviões de papel e sopremos-los com todo o fulgor.

No fim, tudo o que vier servirá unicamente para que nos sintamos mais inteiros, tu em mim, eu em ti.

Nas noites descobertas da tua ausência vou-me lembrar todos os dias, que a tua voz adormece a meu lado e que o teu cheiro é o verbo que se conjuga no meu corpo.

2 comentários

  1. Esse texto faz todo o sentido. Pensa se na ausência, pensa se que o "deixar" traz sempre a presença de alguém, nem que seja pelo mais importante sentido: o cheiro.

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