15 Escritores

Eu e os blogs temos assim uma relação como que de amor à primeira vista. Percebo que gosto de um blog quando sou atraída ou pela leitura que muito ou pouco terá algo a ver com aquilo que aprecio e me preenche, ou pela fotografia; nesse dado momento guardo-o para que não o esqueça. Acabo por ter pastas e sub-pastas de blogs favoritos, todos eles ordenados por temas e interesses. Acontece que não os visito diariamente ou com alguma regularidade, mas quando o faço - faço-o com alguma persistência e foi assim que passado algum tempo dei conta ao revisitar os arquivos e fotos de um dos meus blogs favoritos o Kase-faz da Maria, que tinha por lá um desafio para responder - Quais os meus 15 escritores preferidos - Vindo à partida de uma das pessoas cujo o trabalho muito admiro e sendo um tema que me desperta interesse decidi desde já aceitar.
Lembro-me que os primeiros livros que comecei a ler com muito entusiasmo foi a colecção da "Anita" escritos por Marcel Marlier e Gilbert Delahaye, em Portugal editados pela Verbo. Tinha cerca de três dezenas de livros da Anita e cada um deles era sempre uma agradável surpresa. Por volta dos dez onze anos coleccionava os livros da Julie Campbell, "As aventuras de Patrícia", em português, no original "Trixie Belden". Ao sabor da aventura e suspense sonhava descobrir pistas e segredos e passei a ler a Agatha Christie. Na adolescência passei a folhear Romances Históricos. Existia uma editora que se chamava "Temas da Actualidade" e tinha vários livros históricos contados sob a forma de romance, li um dos que foi e é hoje um dos meus livros preferidos, que inclusive podemos assistir à série que está a passar na tv, refiro-me aos "Pilares da Terra" de ken Follett - hoje editado em dois volumes pela Presença. A Asa editora acabou por dar seguimento aos livros de lombada preta, e editou uma série de romances históricos; dos meus autores preferidos de sempre a Catherine Clement e, de todos os seus livros o "Por Amor da Ìndia". Kenizé Mourad, especialista em assuntos relacionados com o Médio-Oriente e Ìndia deu-me a descobrir toda a sua história e vivência através dos seus dois únicos livros. Ainda dos históricos, Robin Maxwell e a trama da Dinastia Tudor. Os clássicos portugueses como Júlio Dinis, Eça de Queiroz, etc... eram lidos durante as férias no período antecedente às aulas.

Mais tarde entrei no mundo livreiro e este passou a fazer parte de oito horas diárias do meu trabalho, assim como algumas feiras do livro.
Passei a ter oportunidade de comprar mais livros e fazer assim crescer a minha estante de "jóias literárias". Aprendi a gostar de poesia e escolhi alguns nomes como Maria Teresa Horta, Jorge de Sena, Mário Cesariny, António Ramos Rosa, Herberto Helder, Ruy Belo, Antero de Quental, entre tantos outros...! Descobri o lado filosófico de Clarice Lispector, da Virgina Woolf, de Albert Camus...

Penso já ter ultrapassado os 15 escritores, mas só para concluir este post,- é-me difícil esta escolha..., quando existem tantos nomes sonantes e outros até menos ilustres, mas que nos acompanharam cada um ao seu ritmo, nos fizeram sonhar e crescer - é difícil - lembrarmos-nos de quinze ou de apenas três, quando todos são únicos e, excepcionais num todo!

Para além dos autores gosto de livros, do cheiro das capas, da cor, das linhas e letras, das palavras do livro enquanto objecto.

Gosto de mexer nos meus livros de arte e procurar num Vermeer ou numa colecçãoTaschen, a perfeição daquilo que para mim é agradável e "belo".

Hoje, infelizmente não leio tanto como gostaria mas tenho sempre algum livro a acompanhar os meus dias.

Obrigada Maria, por este desafio e que venham mais se forem tão bons quanto este.

Teria alguma curiosidade em ler as respostas da Virgínia do "Amo-te Mil Milhões" e da Dora do blog "Capricorniana"; a todas vós que me ledes, aceitem o mesmo desafio como vosso, e partilhem-no connosco.

11 comentários

  1. Olá Márcia,

    temos muitas leituras em comum :)
    Escolher 15 é que é um pouco difícil...
    Ler para mim era como respirar, se não o fazia ia morrendo aos poucos. Agora tenho pena que o tempo não mo permita fazê-lo regularmente é preciso disponibilidade para ler.

    Também gosto muito da proximidade física dos livros, gosto de os folhear, do seu cheiro, do seu aspecto gráfico, de recordar o momento da sua compra, dos livros antigos, temos bastantes com mais de 100 anos, de analisar a escrita de forma a enriquecer ou mudar a minha forma de objectivar o mundo, de me pôr a pensar.

    Obrigada por aceitares, esta é uma proposta engraçada que nos faz entrar um pouco dentro de nós e no nosso passado :)

    ResponderEliminar
  2. Eu também lia "As aventuras de Patrícia". :)
    Ainda os tenho na minha estante, já amarelados pelo tempo.
    Eram uma delícia estas histórias.
    Havia também os da "Nancy", também do género dos da "Patrícia", com aventuras e mistérios.
    Beijinhos

    ResponderEliminar
  3. Conheço tantos dos livros dessa tua estante! Tenho-os também na minha própria casa e até o meu pequenito os adora. Quando me pergunta alguma coisa a que eu não sei responder, diz-me logo para eu ir ver aos livros. Ler foi o meu mundo e o meu crescimento. Como tu, tenho pena de não ter o tempo que tinha antes para o fazer, mas ainda assim, continuo com a mesa de cabeceira cheia! A colecção da Anita, Uma Aventura, Sherlock Holmes, Eça de Queiroz, Júlio Dinis, José Saramago, Jorge Amado, António Alçada Baptista, Isabel Allende, Saint-Exupéry, Richard Bach, Florbela Espanca, Fernando Pessoa, Caio Fábio, Ricardo Gondim... Estão aqui 15, é verdade, acabei de os contar, mas são sem conta as página que eu li, os autores que me fizeram voar, os títulos que me mudaram. Cada um à sua maneira, cada um na sua fase da vida, alguns adiados e lidos na altura própria, outros na lista por ler. Ler é um mundo que se abre diante de nós. Boas leituras!

    ResponderEliminar
  4. Escolher um escritor não é algo que se faça de ânimo leve. É preciso tempo, envolve uma certa nostalgia, um pequeno sofrimento na recordação das palavras que me arranharam por dentro de tão agudas e belas. Escolher quinze é multiplicar por esse número as recordações, a nostalgia e a dor. Resolvi responder ao desafio porque ficou a passear-se por dentro de mim, a ronronar como um gato junto às minhas pernas quando quer atenção e resolvi ouvi-lo e afagá-lo e satisfazê-lo para que me dê paz.
    O primeiro que sou obrigada a escolher é Saint- Exupèry que com o principezinho trouxe a poesia às minhas birras de sono infantis. Adormeci umas semanas ao som da história incrível de uma criança de um pequeno planeta que aterrara na terra para aprender o sentido da entrega e da amizade.
    Tive uma adolescência privilegiada nalguns campos. O acesso aos livros foi um deles. Estudei três anos num colégio particular que possuía uma vasta biblioteca e dedicava todos os meus tempos livres a explorá-la, a conhecer um por um todos os livros que podia. Entre os treze e os quinze anos li um livro por dia. Roubava tempo ao sono e mergulhava naquilo que conseguia encontrar. Lembro-me de ter descoberto José Mauro de Vasconcelos e a sua “Rosinha minha canoa” nesta altura.
    Mais tarde quando um dia numa livraria passeava o tempo que as aulas na Universidade me deixavam livre reparei num livro. O título apelou-me pela tragédia implícita “ A nossa necessidade de consolo é impossível de satisfazer” de Stig Dagerman. Foi com este autor que descobri o livro mais importante da minha vida “O Outono alemão”, que me revelou o verdadeiro significado da compaixão por outro ser humano.
    Estamos apenas no terceiro e sinto as mãos trémulas pela injustiça que sei que serei obrigada a cometer ao deixar para trás alguns autores que me foram tão caros.
    O quarto será o autor de um livro estranho mas perfeito. “Obabakoak, um lugar chamado Obaba”, Bernardo Atxaga.
    O quinto só poderá ser uma mulher, Mercé Rodoreda pela sua maravilhosa “A morte e a Primavera”.
    Em sexto presto a minha homenagem a uma escritora belga cujo nome diz tudo Marguerite Yourcenar, a quem devo “As memórias de Adriano”.
    Em sétimo, outra mulher, Marguerite também de seu nome mas Duras de apelido a quem devo um livro simples e complexo “Olhos azuis cabelo preto”, alem de muitos outros.
    Em oitavo um escritor português, António Lobo Antunes, pela poesia e pela beleza que coloca em cada parágrafo. Não consigo sequer escolher um livro dele por todos me terem tocado tanto.
    Em nono escolho outro português, José Saramago, pela humanidade agreste que colocou em cada obra e pelos momentos em que de tão sincero, qual sobreiro na planície do Alentejo senti “a pele a ser-me arrancada aos gritos”.
    Em décimo, Tonino Guerra, ao qual, para além da poesia dos livros devo filmes memoráveis, como a “Nostalgia” de Tarkovsky e os “Ginger e Fred” e “Armacord” do Fellini.
    Em décimo primeiro, outro italiano que me comoveu e deixou cheia de lágrimas com “Seda” e todos os livros que desde então li de sua autoria, Alessandro Baricco.
    Para décimo segundo elejo Gabriel Garcia Marquez que me apresentou ao realismo mágico com o seu “Cem anos de solidão” e que depois sublimou na simplicidade de “Ninguém escreve ao coronel”.
    Isabel Allende seguiu-lhe os passos na escrita e agora nesta lista ficando em décimo terceiro lugar.
    Para décimo quarto escolho uma autora que apenas publicou dois livros até à data, Donna Tartt. Escolho-a pelo seu “O pequeno amigo” com que me identifiquei e cuja sensibilidade me fez sentir maravilhada.
    Finalmente, para décimo quinto escolho um autor japonês que consumo desenfreadamente, Haruki Murakami, e ao qual agradeço sobretudo pelo “Crónicas do pássaro de corda”.
    Sinto pelos que deixei de fora e anseio pelos que ainda me faltam descobrir.

    ResponderEliminar
  5. Ui, não vou resistir a espraiar-me sobre isto! Vou ali à estante e amanhã já digo qualquer coisa. Obrigada pela distinção!

    ResponderEliminar
  6. "(...) tenho sempre um livro a acompanhar os meus dias." Acho que é o fundamental.
    Eu também. Senão sinto-lhe a falta.

    ResponderEliminar
  7. @ Querida Cassandra, adorei ler o teu testemunho literário!
    @ Obrigada eu, Dora.

    ResponderEliminar
  8. Obrigada Márcia :)
    Deixei de fora a poesia porque são tantos, tantos, tantos os poetas que amo, que não seria capaz de escolher de entre eles. Desde Prévèrt, Sophia de Mello Breyner, Eugénio de Andrade, Ramos Rosa, Daniel Faria, Rilke, T. H. Longfellow, Paul Élouard, Garcia Lorca, Pablo Neruda... e ainda a procissão vai no adro... Todos eles contribuiram para a minha forma de estar e de sentir. Todos eles sublimaram a minha essência no melhor que há em mim e a todos eles um imenso obrigada.

    ResponderEliminar
  9. Só agora leio este teu post. Partilho contigo a mesma paixão pelos livros, não há cheiro igual. Mas é-me difícil escolher assim escritores, principalmente por saber que não tenho de gostar de tudo o que um escritor faz... mas não posso deixar de referir Florbela Espanca, Fernando Pessoa, Paul Auster, Marion Zimmer Bradley... Os livros da
    Anita também me viram crescer :)

    ResponderEliminar
  10. ah adoro livros e adoro ler posts destes, cada livro que citas traz-me memórias, que bom é ler, uma verdadeira janela sobre outros mundos
    bom ano para ti, com boas leituras

    ResponderEliminar
  11. não me esqueço do desafio, até já ando a pensar nele.. mas quero fazê-lo com tempo :) e obrigada!!

    ResponderEliminar